Você nunca vai saber quanto custa uma saudade, o peso agudo no peito de carregar uma cidade pelo lado de dentro, como fazer um verso, um objeto sujeito, como passar do presente para o pretérito perfeito, nunca saber direito, você nunca vai saber o que vem depois do sábado, quem sabe um século muito mais lindo e mais sábio, quem sabe apenas mais um domingo, você nunca vai saber e isso é sabedoria. nada que valha a pena. a passagem pra passárgada, xanadu ou shangrilá. quem sabe a chave de um poema e olha lá.
Objeto Sujeito
Paulo Leminski
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