domingo, 19 de abril de 2009

A vida como ela é

Depois das 15h, deixei Pi em casa medicado e corri para o trabalho.

Como já disse aqui e acredito, não muito diferente das demais empresas, o clima não está legal. Muitos cortes, incertezas.

Cheguei e estavam todos com umas caras péssimas. Mesmo assim, não acreditei no que tinha acontecido: o Alvaro, que foi meu chefe quando entrei na empresa (aliás, foi ele que me contratou), deixou de ser por um período, foi novamente, e que no ano passado foi promovido e mudou de área, tinha sido desligado da empresa. Nunca deixei de considerá-lo como chefe, no sentido de ser um conselheiro, companheiro, amigo. Uma pessoa com um coração enorme, com cultura correndo nas veias e que divide isso com todos, diariamente.

Me faltou o chão. Já estava meio aérea pelo cansaço e preocupação com Pi e com a notícia fiquei 'pastel'.

Corri para a sala dele, que lá estava, juntando seus 33 anos de empresa em algumas caixas. Alguns amigos abatidos ajudavam. Ele é muito equilibrado e mantinha a aparente calma. Eu não consegui muito. Olhei para uma amiga e não pude deixar de chorar. Abracei o amigo e me dei conta da fragilidade do momento.

Sei que com a crise algumas ações são inevitáveis, mas outras podem ser evitadas. Uma pessoa com cargo de gerente geral, com mais de 30 anos de empresa e uma carreira impecável, não pode ser desligada por telefone, pela pessoa do RH.

Não consegui me concentrar até levá-lo à porta.

Virei as costas com um peso enorme e sentei na minha mesa para fazer a minha parte, enquanto me permitem. Saí da empresa às 21h. Cansada física e mentalmente. Esgotada seria a melhor palavra.

Voltei para mais uma jornada de enfermeira com meu amor.

Descansamos um pouco, um sono agitado.

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